VAMPIRO NO CINEMA
Viver na morte as custas do sangue alheio é a delicia de Dracula,
Carmila e seus irmãos. Começou em 1922 com a primeira versão de Nosferatu. Desde então
as telas sao férteis geradoras dos mais variados sanguessugas. Sempre sedutores, e
fatais, Fatais?

NOSFERATU,
UMA SINFONIA DE HORROR, Alemanha 1922.
Direção de Frederich W. Murnau. Com Max Schreck.
É considerado ainda um dos melhores filmes de
horror de todos os tempos. Foi filmado ao ar livre,
com locação realista. A despeito de alguns recursos
técnicos que fazem as platéias rir, tais como a
velocidade excessiva da carruagem de Drácula e o
enchimento dos caixões, o filme é ainda uma obra-prima.

O conde Dracula criado no livro de Bram Stoker (1847-1912) partindo
do folclore universal e da figura do principe Vlad Tepes, um guerreiro sádico com certo
apego ao empalamento que unificou a Romenia, expulsando os turcos.

O romance Dracula, lançado na Inglaterra em 1897, vem sendo adaptado com certa
regularidade pelo cinema.
Stoker imaginou uma criatura de natureza bissexual que obtinha uma espécie de orgasmo ao
morder o pescoço de moças e rapazes, sugando-lhes o sangue, numa luxuria que contaminava
as vítimas. Mas esta sexualidade exarcebada era, para os conceitos morais da época, um
índice de maldade e perversão, indissociavel da barbarie e da morte. O vampiro
representava uma ameaça fatal as instituiçoes do casamento e da familia, do trabalho e
da poupança - fundamentos da civilização cristã.

O primeiro vampiro do cinema mantém esta vinculação
com a morte: O Nosferatu (1922), de F. W. Murnau, vivido pelo fantástico Max Schreck, nao
se separa de seu caixão, provocando surtos de peste em suas andanþas peo mundo atraves
dos ratos que comanda. O mesmo ocorre no Nosferatu (1979) de Werner Herzog, que mantem o
carater bissexual, encarnado por Klaus Kinski, sob uma máscara inspirada nos roedores.

NOSFERATU, O
VAMPIRO DA NOITE, Nosferatu - Phantom der Nacht, Alemanha/França, 1979.
Direção de Werner Herzog. Com Klaus Kinski,
Isabelle Adjani, Bruno Ganz.
Refilmagem do clássico de Murnau,
traz um vampiro totalmente diverso
da figura popularizada pelo cinema
inglês. Nosferatu é um monstro que
inspira compaixão e reflete toda a
angústia que marca o cinema de Herzog,
sempre voltado para a solidão e o
desespero do ser humano.
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